Tem uma nova dor que não grita.
Ela fica.
Senta no peito, pesa na respiração e cansa até o pensamento.
Não é só a pessoa que foi.
É o futuro que eu imaginei e que agora não tem mais onde pousar.
É a rotina quebrada, o silêncio estranho, a ausência que faz barulho.
Eu tentei.
Tentei mais do que devia, mais do que era justo comigo.
E mesmo assim meu amor não bastou.
Dói porque foi real.
Dói porque houve amor.
Dói porque eu não sou de superfície, quando entro, entro inteira.
Dei minha maior poesia.
Entreguei meus melhores dias de juventude, minha confiança,
meu riso mais solto, meu corpo mais bonito, minha lealdade,
meu tempo, minha presença, minha esperança.
Meu aniversário está chegando.
E pela primeira vez, não criarei falsas expectativas.
Não esperarei surpresas que nunca vieram,
nem almoços românticos
Nem flores.
Nem cestas de café da manhã.
Pela primeira vez em anos,
não vou me decepcionar com ninguém
à custa de rebaixar minha própria importância.
Agora é tempo de voltar pra mim.
De reencontrar minha feminilidade, não como enfeite,
mas como força viva:
meu corpo, meu ritmo, meu sentir, minha intuição.
É lembrar que antes de qualquer “nós”,
eu já era inteira.
E continuo sendo.
Essa dor não é o fim.
Ela é passagem.
É luto do que não deu certo, não sentença de fracasso.
Hoje eu choro.
Hoje eu me permito cair um pouco.
Mas amanhã… amanhã eu recolho meus pedaços com cuidado,
porque ainda sou casa, abrigo, caminho.
E mesmo machucada,
eu sigo sendo eu.