segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Tudo pode acontecer - parte 04

-Cansei da contabilidade!
Porque não podemos deixar isso só pro contador?
- Tô vendo que está cansada. Quer uma massagem Su?
- Não!  Quero dormir.
- Sério?  Tá doente? Você recusando minha massagem? Ou será que perdi meu charme?
- Sai. Vai pra tua casa que tá tarde. Estou com sono.
- Tá.  Não precisa me tocar. Mal humorada!
Terminamos amanhã?
- Melhor né?  Desculpa. Não pretendia ser grosseira. Sabe que fico chata quando tenho sono!
- Está tudo certo, minha querida.

Suzana tirou a roupa. Largou em cima de uma cadeira. Deitou na cama. Apagou a luz. Acendeu novamente. A sua mania de arrumação era pior que o sono. Dobrou e guardou as roupas. Deitou novamente. Levantou, porque não tinha escovado os dentes. Então escovou os dentes e tentou dormir. Foi quando escutou um barulho na porta. Barulho de chave. Imaginou que Gutierrez havia esquecido algo... Esperou. Um minuto. Dois. Chamou por ele. Nada. Seu coração disparou. Um medo profundo. Tentou levantar. Não podia. Tentou gritar. Nada fazia sentido. Teve a intuição de que estava dormindo. Apavorada tentou acordar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Gatos

Gatos
Gatinhos
Gatões
Invadem meu portão
Sem cerimônia
Pretos, amarelos
A cada dia uma novidade
Lindos
Eu fico maravilhada
Livres, hoje raridade
Belos
Carinhosos
Numa natureza tão mágica
Me apaixono
Comem a ração
Fazem um carinho, em agradecimento
Partem
Um dia voltam
São como eu
Acreditam
No momento.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Ah! Poesia do Mar

                           
Olhando a água, a ilha de fundo
Abraça o primo
Cuida
Como se seu abraço fosse proteção
Contra todo mal
Carinho
Deve ter uns três anos
A pequena heroína              
Ele, vestido de super homem        
Mal aprendeu andar
Ela de cor de rosa
Pequena  Protetora Stella,
mas pra mim
Pequena Janaina              
Rainha e sereia do mar

domingo, 3 de janeiro de 2016

Um

Não sei se ainda temos chance
Neste mundo tão confuso
De ainda ser humano

"Humano "hoje é quem destrói
Corrompe
Abusa
Apodera-se

Queria que cada dor
 De cada mulher tratada como objeto
E de cada criança violada em seus direitos
Que a todos pertencesse

Que a cada nascimento
Houvesse grande festa
Que todo bebê  tivesse
Casa segura, cama limpa
Peito pra mamar
E amor. Todo o amor.

Sei que não sou a única sonhadora
Só sei que faço minha parte
Porque minhas dores são coletivas sempre

Sou cada criança
Sou cada mulher
Sou cada homem

Não sou país
Sou mundo
Sou natureza
Sou o menino que solta pipa
E sou cachorro de rua

Vejo corações bons
Vejo pessoas que fazem o bem
Quero acreditar que ainda somos maioria
Quero acreditar que um dia seremos um











terça-feira, 29 de dezembro de 2015

As nuvens (Laura Cavallin Veloso)

Sobe e desce
as vezes grande
as vezes pequena

Cobre o sol
Cobre a lua

É de algodão
ou não?

Como é que em dia ensolarado
se refresca?
Como é cair e ser pisado
no chão?

Nas poças se juntam
E voltam ao céu!


(Acabei de ganhar este poeminha da minha linda poeta Laura Cavallin Veloso)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Não posso perder

Não posso mais perder
Meu amigo
Consegue compreender?

Não assim
Sem volta
Sem explicação

Ah, sim
Conheço a dor
De querer voar
Num vôo pleno
Anestésico

Pensa que de tua anestesia
Outros por você sentirão
E que por mais que tudo esteja escuro
Latejante
Insuportável
Amanhã o sol volta a brilhar

Nada é eterno
Nenhuma dor é para sempre
Só a ausência

Não sei mais perder
Não quero perder mais
Nenhum amigo


domingo, 13 de dezembro de 2015

Lançadas

Lanço  minhas flechas
Em meu cavalo de aço
Penso trilhar em minha escadaria
Para o céu
Mas as portas de nuvens a trancaram
Para mim
Lanço a primeira
Meus olhos ardem
Lanço a segunda
Minhas lágrimas secam
Lanço a terceira
Que é feita de poemas e ilusões
Desisto e  já sem flechas
Reflito na existência
Quero recolhe-las
Descubro que já não
Há volta
Às flechas lançadas.