sábado, 26 de setembro de 2015
Família
Família é pai e mãe sim.
Também é avó
Tio
Madrasta
Família é quem cuida!
Família tem irmão
Tem briga
Tem carinho
Família é coração!
Pode ter dois pais
Ou apenas uma mãe
Pode ter uma madrinha
Família é estar junto
É querer o bem!
É quem educa!
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
No caminho
No caminho
Um homem caiu
Em frente ao carro dela
O pisca alerta
De qualquer jeito largou o carro
No portão de um prédio qualquer
E o homem com hálito de quem bebeu
Ela lembrou seus medos
Tinha tanto medo que seu pai
Passasse mal numa rua escura como aquela
Medos que já não faziam sentido
Depois que ele se foi
Mais gente ali querendo ajudar
No chão uma carteira e cigarros
Ele não aceita ambulância
Não quer ligar pra ninguém
Teima um pouco
Pede pra chamar os amigos
E alguém vem
Provavelmente o dono do boteco
Consegue levar o homem
Nada mais a fazer
Ela entra no carro
E chora sem parar
Sem saber o motivo, chora
Acha que é pelos filhos
Que nem sabe se o homem tem
Ou que é de saudade
De quando se preocupava
Com seu próprio pai.
Um homem caiu
Em frente ao carro dela
O pisca alerta
De qualquer jeito largou o carro
No portão de um prédio qualquer
E o homem com hálito de quem bebeu
Ela lembrou seus medos
Tinha tanto medo que seu pai
Passasse mal numa rua escura como aquela
Medos que já não faziam sentido
Depois que ele se foi
Mais gente ali querendo ajudar
No chão uma carteira e cigarros
Ele não aceita ambulância
Não quer ligar pra ninguém
Teima um pouco
Pede pra chamar os amigos
E alguém vem
Provavelmente o dono do boteco
Consegue levar o homem
Nada mais a fazer
Ela entra no carro
E chora sem parar
Sem saber o motivo, chora
Acha que é pelos filhos
Que nem sabe se o homem tem
Ou que é de saudade
De quando se preocupava
Com seu próprio pai.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Vinte e sete
Hoje é o dia das palavras
Que nunca saíram da boca
E dos sonhos enterrados vivos.
Hoje é o dia dos lamentos
Das ilusões cremadas
Hoje é o dia de festejar a solidão
Dos anos perdidos
De odiar e amar
Hoje é dia de segurar as lágrimas
De fingir que a vida continua
Hoje é dia das máscaras sorridentes
Do riso histérico e fosco
Hoje é dia de contar os anos desperdiçados
E dos corações despedaçados.
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Gritos de socorro de uma escola pública.
Você preferiu fumar a pedra
E a criança na escola se rebelou.
Você saiu de casa
E seus filhos abandonou.
Você ficou inerte.
Foi você que o pó cheirou.
Mas foi a menina que na escola
O braço todo cortou
Você a culpou por ter nascido
Algo que ela jamais escolheu
Ela ficou fora de sala
Agrediu o colega
Ofendeu o professor
Mas foi você que abandonou.
As notas dela estão baixas
Acho que vai reprovar
E você?
Quem vai censurar?
Seu novo bebê está bem cuidado.
O novo padrasto é lindo e sarado.
O mesmo que dela abusou.
Ela fugiu da aula
Cigarro fumou
Tava na pracinha
A praça dos 4:20
Foi a "tia" da cantina que viu
Quando a patrulha passou
Ela tá sangrando
Nos braços e na alma
Ela tá sozinha
Mas a mãe tem que trabalhar
Não pode perder tempo
Pra conversar com o professor
Ela já ganhou um celular novo.
Isso já não bastou?
Cadê você?
Cadê a família?
O pai, a avó, a tia?
Cadê o teu amor,
Os limites,
O exemplo?
Cadê você?
Que pra escola "criar"
Pro mundo "educar"
Essa criança abandonou?
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Apenas uma história de amor.
A vida em si, tantos anos de desilusão a tornaram alguém fria . Quase que imune a sentimentos. É como um calo. Dói tanto, que um dia torna a pele dura, protegida de qualquer sensação.
Talvez a maturidade faça isso também. Transforma o mundo num esquema de obrigações e sobrevivência. Acaba por tornar os dias sem quaisquer outros propósitos que não aqueles de trabalho e de contas pra pagar.
A diferença, é que houvera um tempo em que na vida dela ainda existira espaço para sonhos e ilusões. Aquilo parecia tão longe e perdido no tempo como as lembranças de infância. Algo que a lembrava sorrisos, que ficaram pra trás.
Ele ficou meio apavorado. Tinha gostado dela assim que a viu. Quando tentou chegar um pouco mais perto, esbarrou. A metade do que restava do copo de cerveja foi derramada no vestido dela. Não sabia o que falar. Queria se desculpar. ..Gaguejou. Naquele momento desapareceu o homem confiante e capaz de silenciar um auditório inteiro em suas palestras. Parecia um menino tímido. Ela disse que estava tudo bem. Que já estava indo pagar a conta. Morava ao lado do bar, realmente não importava.
Encontrar ela, no dia seguinte, naquele café foi para ele como a probabilidade de ganhar na loteria. Sem a influência do álcool, ao contrário de muitas pessoas, ele voltava a ter a confiança e a visão de uma boa oportunidade. Pediu licença para sentar na mesa dela. Ela instintivamente segurou a xícara de café. Relembrou o banho gelado. E as primeiras palavras dele foram exatamente desculpas pela noite anterior. Os olhos dela se voltaram ao livro que ele tinha em mãos. Era o mesmo livro que ela estava lendo. O autor era um de seus preferidos como também um de seus melhores amigos. A partir daí, descobriram um mundo de coisas em comum. Era como se em segundos tivessem se transformado em amigos íntimos. Horas depois, o amor tomava conta de seus corpos e corações. Ele era a ilusão que ela havia desistido de sonhar uma vida inteira. Era alguém que ela imaginava não existir. E ela, era o abraço do qual ele nunca mais queria sair.
http://m.vagalume.com.br/nando-reis/sei.html
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Além
Além.
Sombra é o pouco que lembro,
Você estava sobre mim,
Frenético.
Pouco a pouco, senti que saía do corpo,
Não era o prazer, não eram seus movimentos,
Eram as duas almas que subiam,
Num estágio maior que qualquer prazer.
E eu disse, serei pra sempre tua.
Nenhuma palavra de minha boca saiu.
Você já fazia parte de mim.
Unidos numa força muito maior.
Senti teu gozo,
Mas, longe dos corpos, o que se sentia era muito maior.
Lágrimas saíram dos meus olhos,
Sem que você pudesse perceber.
Acho que você nem entendeu,
O que estava acontecendo.
Seu corpo suado, jogou-se para o lado.
Dormiu.
Não sabe, que não poderia mais separar.
Que em outros corpos, no superficial,
Nunca achará.
O que está unido
Além.
Elas são de Marte. Mulheres sem Censura. Palavras Escolhidas, 2014.
Sombra é o pouco que lembro,
Você estava sobre mim,
Frenético.
Pouco a pouco, senti que saía do corpo,
Não era o prazer, não eram seus movimentos,
Eram as duas almas que subiam,
Num estágio maior que qualquer prazer.
E eu disse, serei pra sempre tua.
Nenhuma palavra de minha boca saiu.
Você já fazia parte de mim.
Unidos numa força muito maior.
Senti teu gozo,
Mas, longe dos corpos, o que se sentia era muito maior.
Lágrimas saíram dos meus olhos,
Sem que você pudesse perceber.
Acho que você nem entendeu,
O que estava acontecendo.
Seu corpo suado, jogou-se para o lado.
Dormiu.
Não sabe, que não poderia mais separar.
Que em outros corpos, no superficial,
Nunca achará.
O que está unido
Além.
Elas são de Marte. Mulheres sem Censura. Palavras Escolhidas, 2014.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
As almas e os lugares.
Acho que as casas tem almas.
Refletem as energias dos que habitam.
Há lugares pesados.
E outros que nos fazem bem.
Existem casas no meu coração.
De um tempo passado.
Mas jamais esquecido. Quando posso, eu visito algumas casas.
As vezes, fico triste. Uma casa foi demolida. E dela restaram tão boas lembranças. ..Outra perdeu a varanda. Isso me comoveu. Varandas são como um convite. Lugar pra sentar, conversar com os amigos, ler, tomar um café ou uma cervejinha. ..Dou alguns tapinhas carinhosos na parede do quarto deste apartamento ancião onde moro e escrevo. Um prédio cercado de histórias. De sorrisos e de tragédias. Faço as contas. Deve ter uns bons sessenta anos. Amo este prédio! Entre suspiros, percebo que é melhor levantar. Hoje, às aulas reiniciam no colégio cinquentenário onde trabalho...Acredito que escolas também tem almas...E eu, nesta fria manhã de Curitiba, carrego a contragosto meu corpo cansado pra lá. Tenho que trabalhar!
Refletem as energias dos que habitam.
Há lugares pesados.
E outros que nos fazem bem.
Existem casas no meu coração.
De um tempo passado.
Mas jamais esquecido. Quando posso, eu visito algumas casas.
As vezes, fico triste. Uma casa foi demolida. E dela restaram tão boas lembranças. ..Outra perdeu a varanda. Isso me comoveu. Varandas são como um convite. Lugar pra sentar, conversar com os amigos, ler, tomar um café ou uma cervejinha. ..Dou alguns tapinhas carinhosos na parede do quarto deste apartamento ancião onde moro e escrevo. Um prédio cercado de histórias. De sorrisos e de tragédias. Faço as contas. Deve ter uns bons sessenta anos. Amo este prédio! Entre suspiros, percebo que é melhor levantar. Hoje, às aulas reiniciam no colégio cinquentenário onde trabalho...Acredito que escolas também tem almas...E eu, nesta fria manhã de Curitiba, carrego a contragosto meu corpo cansado pra lá. Tenho que trabalhar!
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