- Ana Carolina, Ana Carolina, ai, vem cá gostosa, ai Ana Carolina...
- Acorda, seu desgraçado! Quem é essa vagabunda?
- Que, o quê? O que foi sua doida?
- Tava sonhando com quem?
- Sei, lá Marisa! O que foi, pra quê me acordar assim?
- Mas você é muito sem vergonha, mesmo! Eu já lembrei quem é Ana Carolina. É aquela amiga da Suzana, que veio pra München...quando foi que você ficou com ela?
- Eu não. Não fiquei com ninguém, não. Ontem fiquei o tempo todo com você. Mal conversei com a Ana!
- Mas tava sonhando com ela, dizendo o nome dela, chamando de gostosa!
- Não, não é nada...os caras da faculdade ficaram falando...ela é bonita, devo ter ficado com isso na cabeça.
- Eu vou é ligar para Suzana e tirar isso a limpo, Eduardo!
- As quatro da manhã?
- Não quero nem saber! A Suzana tá de plantão na delegacia, deve estar acordada. Quero ver se você já conhecia essa menina ou o quê!
Suzana nem sabia o que dizer para Marisa no telefone. Tinha ficado perto de Ana o tempo todo, no dia anterior. Mas como responder em nome da amiga? Ana tinha ido para Ponta Grossa visitar Suzana mas já tinha voltado pra Curitiba. Não tinha ficado com ninguém, que Suzana soubesse, e Suzana sabia de tudo da vida de Ana. E a Ana tinha namorado. Não era de fazer esse tipo de coisa. Esperou o dia amanhecer para ligar para a amiga e tentar entender o que tinha acontecido.
- Como assim, se eu fiquei com o namorado da sua amiga? Tá louca Suzana? Não saí um minuto de perto de você. E a menina tava com ele o tempo todo também. Nem olhei para ele. Juro.
- Sei lá. A Marisa tá enlouquecida, querendo ir para Curitiba, para você dizer na cara dela que não ficou com o Eduardo.
- Que bando de gente louca, eu tenho minha consciência bem tranquila. Fala para menina me ligar, se quiser. Não fiz nada não, nem olhei, mesmo!
Ana não tinha feito nada. Não tinha olhado para ninguém. Ficou muito chateada. Por outro lado, sentia-se meio estranha ao pensar que um quase desconhecido pudesse sonhar com ela. Anos depois, passou por uma situação parecida, mas que pode aceitar com bom humor. O namorado estava dormindo em sua casa. De madrugada, começou a falar:
- Cara, que gostosa! Cara, aquela loira, hum, aquela loira é muito gostosa, aquela loira cara, a loira...
- Que é isso? Rodrigo? Tá falando com quem?
- Cara a gostosa, a loira gostosa da farmácia. Cara aquela loira é muito gostosa! Como eu queria aquela loira de papelão. A loira gostosa de papelão da farmácia.
- Como é isso? Rodrigo, que loira é essa?
- Nossa! Eu tava sonhando que conversava com o Pedro.
- Tava é falando de uma loira!
- Tá bom, é verdade. Eu tava falando pra ele da loira de papelão da farmácia. Desculpa, não foi por mal, eu juro. Nem é mulher de verdade...
Pra que brigar a toa? Ana achou melhor dar risada. Lembrou do carinha em Ponta Grossa, sonhando sem motivos com ela mesma. Gostava do Rodrigo. Não valia a pena brigar por causa disso. E como diria Suzana, os homens são assim, todos loucos mesmo, pra que tentar entender?
domingo, 2 de dezembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
A paixão impossível.
Que estava apaixonada ela sabia. E sabia que se apaixonar era como olhar no espelho meio com sono. Você não vê nada, apenas olha e acha que está tudo bom, e depois sai descabelada, dando vexame. De verdade, não está nem aí. Ele passava longe de ser lindo, mas ela só pensava nele em cada minuto do seu dia. Ele era romântico, audacioso. As vezes arrogante, as vezes tímido e meigo. Ela analisava aquele pluralismo de personalidade e suspirava. Um homem de verdade. Que sabe como conquistar uma mulher, que sabe o que dizer, e sempre na hora certa.
Antes de embarcar para mais uma daquelas maratonas de shows, ele deu uma conferida no celular.Pela internet mais uma mensagem dela. Mas afinal, quem seria ela? Mais uma vez passou a imaginar como ela seria. Características físicas mesmo. Porque o que ela pensava, seus sonhos, seu modo diferente de dizer as coisas, ah, isso ele já conhecia bem!
Ele no palco a emocionava, ela jamais teria coragem de chegar mais perto que isso. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Ele cantou a música nova. Ela ficou imaginando em quem ele pensava quando a compôs. Sonhou acordada que era para ela. Que era a musa merecedora de tanta paixão.
As luzes quase impediam de ver a platéia. Estava na cidade dela. Provavelmente ela estava lá. Perto do palco, olhando para ele, cantando a música que ele jamais poderia confessar que fez para ela, aquela desconhecida que ocupava seus pensamentos e era a única que interessava entre tantas fãs. Foi para o hotel dormir, não sem antes olhar se havia alguma mensagem dela. Decepcionado ligou a tv e tentou se distrair.
Ela voltou a pé para casa pensando em como era boba. Ela, uma pessoa comum, apenas mais uma naquela multidão. Pensou em pelo menos enviar um boa noite, mas aquela hora ele estaria no hotel, provavelmente com aquela que tanto o inspirava. Melhor ir para casa, dormir escutando a música dele, sonhando com ele, sua paixão impossível.
Antes de embarcar para mais uma daquelas maratonas de shows, ele deu uma conferida no celular.Pela internet mais uma mensagem dela. Mas afinal, quem seria ela? Mais uma vez passou a imaginar como ela seria. Características físicas mesmo. Porque o que ela pensava, seus sonhos, seu modo diferente de dizer as coisas, ah, isso ele já conhecia bem!
Ele no palco a emocionava, ela jamais teria coragem de chegar mais perto que isso. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Ele cantou a música nova. Ela ficou imaginando em quem ele pensava quando a compôs. Sonhou acordada que era para ela. Que era a musa merecedora de tanta paixão.
As luzes quase impediam de ver a platéia. Estava na cidade dela. Provavelmente ela estava lá. Perto do palco, olhando para ele, cantando a música que ele jamais poderia confessar que fez para ela, aquela desconhecida que ocupava seus pensamentos e era a única que interessava entre tantas fãs. Foi para o hotel dormir, não sem antes olhar se havia alguma mensagem dela. Decepcionado ligou a tv e tentou se distrair.
Ela voltou a pé para casa pensando em como era boba. Ela, uma pessoa comum, apenas mais uma naquela multidão. Pensou em pelo menos enviar um boa noite, mas aquela hora ele estaria no hotel, provavelmente com aquela que tanto o inspirava. Melhor ir para casa, dormir escutando a música dele, sonhando com ele, sua paixão impossível.
domingo, 11 de novembro de 2012
A grande escrivã.
Acho que todos que acompanham e estavam morrendo de saudades da Suzana, já sabem que as amigas dela são sempre mulheres fortes, empoderadas. Assim também é a equipe quase que totalmente feminina da delegacia. Policiais escolhidas por competência, inteligência e amor ao trabalho. Hoje vou contar uma história de uma dessas grandes policiais.
Suzana teve que ceder. Era o seu voto contra o de toda equipe. Ela queria a festa de confraternização de final de ano num bar onde a banda do seu namorado tocava. Como foi vencida, aceitou ir com os colegas em uma danceteria. Só de imaginar aquele tuch tuch já embrulhava o estomago. Ficaria feio demais não ir...foi. Sentou meio sem graça, pediu um refrigerante sem gelo porque já estava incomodada demais com o ar condicionado gelado. Ficou meio deslocada enquanto a galera se acabava de tanto dançar. E assim estava, quando viu a polícia militar invadir o estabelecimento. Junto com a polícia, conselheiros tutelares. Foram abordando todos os suspeitos e apreendendo todos os menores de idade. Ela não conseguia ouvir, mas de longe percebeu que um dos conselheiros falava com Michelle, uma escrivã da delegacia de Suzana. Parecia haver algo de errado, correu até lá para entender o que acontecia:
- O senhor está de brincadeira comigo!
- Eu não estou brincando mocinha, por favor, sua identidade ou terá que acompanhar os policiais e aguardar seus pais virem buscá-la!
- Como assim, meus pais?
- É proibida a permanência de menores em casas noturnas. Preciso realmente conferir se você tem dezoito anos. Agora, por favor, seu documento!
A delegada achou engraçado demais para intervir, a escrivã que não era tão mais nova do que ela mesma, com seus "quase" um metro e sessenta e rostinho de menina, podia mesmo, na meia luz ser confundida com uma adolescente. Suzana chegou mais perto para ouvir a colega, continuar discutindo com o conselheiro.
- Mas eu não sou menor. Sou maior e já faz tempo que tenho muito mais que dezoito. Eu sou policial!
- Então a senhorita me faça o favor de me apresentar sua carteira funcional!
Vermelha como uma pimenta, Michelle "sacou" a carteira funcional, o conselheiro nem teve a educação de se desculpar. Deu as costas, apenas, e foi importunar outra menina. Michelle percebeu que metade das pessoas que ali estavam olhavam para ela. Entre essas pessoas, Rodrigo. Ele era um estudante de direito que sonhava em ser delegado de polícia. Tinha uma certa fascinação por policiais de rostinhos bonitos e personalidade forte como Michelle. Ele aproximou-se com um sorriso tão lindo, que na mesma hora Michelle esqueceu da raiva que havia passado. Suzana voltou para sua mesa. Adorava quando sentia aquele clima de romance no ar. Era apaixonada por essas histórias que começam no caos. Não a ponto de continuar aguentando aquela música. Discretamente, pegou a bolsa, o capacete e se mandou para o show do namorado. Suzana era assim, intolerante demais com música que não fosse rock, mas isso é bem fácil de entender...
* Para Danielle Alves.
Suzana teve que ceder. Era o seu voto contra o de toda equipe. Ela queria a festa de confraternização de final de ano num bar onde a banda do seu namorado tocava. Como foi vencida, aceitou ir com os colegas em uma danceteria. Só de imaginar aquele tuch tuch já embrulhava o estomago. Ficaria feio demais não ir...foi. Sentou meio sem graça, pediu um refrigerante sem gelo porque já estava incomodada demais com o ar condicionado gelado. Ficou meio deslocada enquanto a galera se acabava de tanto dançar. E assim estava, quando viu a polícia militar invadir o estabelecimento. Junto com a polícia, conselheiros tutelares. Foram abordando todos os suspeitos e apreendendo todos os menores de idade. Ela não conseguia ouvir, mas de longe percebeu que um dos conselheiros falava com Michelle, uma escrivã da delegacia de Suzana. Parecia haver algo de errado, correu até lá para entender o que acontecia:
- O senhor está de brincadeira comigo!
- Eu não estou brincando mocinha, por favor, sua identidade ou terá que acompanhar os policiais e aguardar seus pais virem buscá-la!
- Como assim, meus pais?
- É proibida a permanência de menores em casas noturnas. Preciso realmente conferir se você tem dezoito anos. Agora, por favor, seu documento!
A delegada achou engraçado demais para intervir, a escrivã que não era tão mais nova do que ela mesma, com seus "quase" um metro e sessenta e rostinho de menina, podia mesmo, na meia luz ser confundida com uma adolescente. Suzana chegou mais perto para ouvir a colega, continuar discutindo com o conselheiro.
- Mas eu não sou menor. Sou maior e já faz tempo que tenho muito mais que dezoito. Eu sou policial!
- Então a senhorita me faça o favor de me apresentar sua carteira funcional!
Vermelha como uma pimenta, Michelle "sacou" a carteira funcional, o conselheiro nem teve a educação de se desculpar. Deu as costas, apenas, e foi importunar outra menina. Michelle percebeu que metade das pessoas que ali estavam olhavam para ela. Entre essas pessoas, Rodrigo. Ele era um estudante de direito que sonhava em ser delegado de polícia. Tinha uma certa fascinação por policiais de rostinhos bonitos e personalidade forte como Michelle. Ele aproximou-se com um sorriso tão lindo, que na mesma hora Michelle esqueceu da raiva que havia passado. Suzana voltou para sua mesa. Adorava quando sentia aquele clima de romance no ar. Era apaixonada por essas histórias que começam no caos. Não a ponto de continuar aguentando aquela música. Discretamente, pegou a bolsa, o capacete e se mandou para o show do namorado. Suzana era assim, intolerante demais com música que não fosse rock, mas isso é bem fácil de entender...
* Para Danielle Alves.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Quero te ver feliz (2)
Quero te ver feliz
Correndo atrás de sonhos
Procurando novos amores
Quero te ver feliz
A cada vez que eu ver seu rosto
Mesmo que você não saiba
O quanto quero te ver feliz
Quero te ver feliz
Doa a quem doer
Quero te ver feliz
Mesmo que doa em mim
Quero te ver feliz
Quero ver seu sorriso
Quero sorrir por você
Quero te ver feliz
Quero que seu sorriso
Não seja de ironia
Quero te ver cantando
Quero te ver em sonhos
Quero te ver feliz
Quando olho pela janela
Quero ser o que posso
O que tenho a oferecer
Quero te ver feliz
Quero te sentir feliz
É só o que posso querer
É só o que posso pedir
Correndo atrás de sonhos
Procurando novos amores
Quero te ver feliz
A cada vez que eu ver seu rosto
Mesmo que você não saiba
O quanto quero te ver feliz
Quero te ver feliz
Doa a quem doer
Quero te ver feliz
Mesmo que doa em mim
Quero te ver feliz
Quero ver seu sorriso
Quero sorrir por você
Quero te ver feliz
Quero que seu sorriso
Não seja de ironia
Quero te ver cantando
Quero te ver em sonhos
Quero te ver feliz
Quando olho pela janela
Quero ser o que posso
O que tenho a oferecer
Quero te ver feliz
Quero te sentir feliz
É só o que posso querer
É só o que posso pedir
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
O amor não existe!
O amor não existe! Existe o amar, bravo, livre, solto, azul. Salgado como minhas lágrimas, distante como meu amor. Existe a morte, que espero com desprezo, mas sei que lá cairei num sono eterno.
Não mais sonharei contigo. Nunca mais será o primeiro pensamento do meu dia, nem invadirás as minhas insônias continuas.
Existe tanto para além de ti, e esse tanto, que queria tanto agarrar, foge-me. Escorre-me entre os dedos a areia fina da praia do meu inverno.
Escrita pelo meu querido Vinicius Borges, aluno do 8° C, Colégio Estadual Ottília H. da Silva.
Não mais sonharei contigo. Nunca mais será o primeiro pensamento do meu dia, nem invadirás as minhas insônias continuas.
Existe tanto para além de ti, e esse tanto, que queria tanto agarrar, foge-me. Escorre-me entre os dedos a areia fina da praia do meu inverno.
Escrita pelo meu querido Vinicius Borges, aluno do 8° C, Colégio Estadual Ottília H. da Silva.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Eu é que caí...
Era estabanada, desastrada. Só isso. Desde pequena, vivia com band-aid nos joelhos, quando os pais não levavam na emergência do hospital, apelavam para o tio, médico ortopedista.
- Desta vez, nenhuma fratura, como foi que aconteceu?
- Eu estava descendo, de patins, de bicicleta...
- Espere! Afinal de patins ou bicicleta?
- Os dois. Eu estava de patins, andando de bicicleta. Quando chegava no degrau entre a calçada e o gramado eu pulava da bicicleta e escorregava na rampa de patins, até que uma hora não deu certo!
Depois de adulta, continuava igual, vivia com marcas que nem lembrava onde tinha batido. Já era muito tarde, teve sede, foi até a cozinha beber água. Esqueceu porém que naquela tarde tinha mandado instalar um portãozinho de madeira para impedir seu bebê de gatinhar entre os perigos da cozinha. Com portão e tudo na escuridão, caiu estatelada na cozinha, o portão desmanchou-se. Cada parte do seu corpo doía.
Atendeu a cliente como de costume, pediu para tirar a calça e subir na maca. Não teve como não ver os grandes hematomas de todas as cores, do amarelo pardo até o tom de roxo. Eram marcas nas pernas, barriga, virilha...uma judiação!
- Olha, não é o que você está pensando. Eu é que caí, digo, caio, me bato a toa...
- Não precisa dizer nada não!
Procurou fazer seu trabalho, se não fosse pela ética profissional, se não precisasse tanto daquele emprego, enfiaria o aparelho de Fotodepilação na garganta do monstro que com cara de bom marido, aguardava na recepção.
- Desta vez, nenhuma fratura, como foi que aconteceu?
- Eu estava descendo, de patins, de bicicleta...
- Espere! Afinal de patins ou bicicleta?
- Os dois. Eu estava de patins, andando de bicicleta. Quando chegava no degrau entre a calçada e o gramado eu pulava da bicicleta e escorregava na rampa de patins, até que uma hora não deu certo!
Depois de adulta, continuava igual, vivia com marcas que nem lembrava onde tinha batido. Já era muito tarde, teve sede, foi até a cozinha beber água. Esqueceu porém que naquela tarde tinha mandado instalar um portãozinho de madeira para impedir seu bebê de gatinhar entre os perigos da cozinha. Com portão e tudo na escuridão, caiu estatelada na cozinha, o portão desmanchou-se. Cada parte do seu corpo doía.
Atendeu a cliente como de costume, pediu para tirar a calça e subir na maca. Não teve como não ver os grandes hematomas de todas as cores, do amarelo pardo até o tom de roxo. Eram marcas nas pernas, barriga, virilha...uma judiação!
- Olha, não é o que você está pensando. Eu é que caí, digo, caio, me bato a toa...
- Não precisa dizer nada não!
Procurou fazer seu trabalho, se não fosse pela ética profissional, se não precisasse tanto daquele emprego, enfiaria o aparelho de Fotodepilação na garganta do monstro que com cara de bom marido, aguardava na recepção.
sábado, 1 de setembro de 2012
Well, Well, Gabriel...
Fiquei muito tempo analisando como poderia contar esta história, na verdade, não quero parecer injusta contando tudo só pelo lado de Suzana, como sua amiga. Outro dia, ela puxou o assunto, como quem não quer nada, eu sei que faz tempo que ela faz rodeios, sem me pedir para falar sobre isso, sei que mesmo daqui cem anos ainda vai doer em Suzana...mas enfim, estávamos em um show de rock (claro que era rock!), para variar um pouco, ao lado direito do palco, o guitarrista, um carinha de uns vinte anos, cabelo compridaço, castanho claro, bem lisinho...um ventilador de teto fazia o cabelo dele voar. E ele agitava aqueles cabelos de um modo alucinante.
- Ele parece o Gabriel.
- É, até que lembra, os cabelos são iguais...
- Mas falta para ele aquela presença de palco, aquele ar de superioridade do Gabriel.
- É Suzana, ele parece muito mais " querido" que o Gabriel.
- E ele não canta. Lembra da voz do Gabriel?
- Saudades, Suzana?
- Quem, eu? Daquele traste imundo? Nunca. Eu irei odiar ele por todos os dias da minha vida...sabe o quê? Esquece o que eu falei. Odeio até falar este nome.
- E se eu escrevesse, Su?
- Pode escrever. E pode ser sincera. Não precisa me defender.
Gabriel tocava guitarra em uma banda, era vocalista também. Não era só isso. Era o melhor guitarrista de Curitiba. Todo mundo conhecia o Gabriel. Ele tinha milhares de meninas apaixonadas por ele. Show da banda era casa lotada. Sempre. Em toda cidade, a fama de Gabriel crescia. Tocava muito bem mesmo. E era lindo! Morava com a mãe no mesmo prédio que Suzana. Tinha perdido o pai, ainda bebê, então era cercado de mimos pela mãe que fazia todas as suas vontades. Gabriel tinha um grande amigo, chamado Augusto. Estudaram juntos desde o maternal, porém um dia, o pai de Augusto, que era separado, resolveu namorar a mãe de Gabriel. Gabriel enlouqueceu, queria bater no pai de Augusto, morria de ciúmes da mãe. Augusto, acabou no meio da briga e assim acabou a amizade dos dois. Mesmo assim, a mãe de Gabriel, quando ele completou dezoito anos casou com o pai de Augusto, e o deixou sozinho no apartamento que era herança do pai. Tinha que aprender a se virar. A ser um homem. Imaturo, e com toda liberdade do mundo, Gabriel saia para tocar e só voltava pela manhã, completamente bêbado. Quase todos os dias. Uma noite, saindo do bar, sozinho ia para casa, quando esbarrou num garoto com um skate. A maioria dos skatistas que andavam por ali, eram amigos de Gabriel, mas aquele carinha devia ter saído de algum bairro distante. Do nada, apareceram mais uns dez. Pularam em cima de Gabriel, bateram nele ate ele cair desacordado.
Suzana parou o carro e gritou. Estava muito assustada com o que tinha visto. Era muita violência e covardia. Um taxista também parou para ajudar, junto com duas meninas que passavam. Suzana, reconheceu seu vizinho, e com ajuda dos outros três, colocou Gabriel desmaiado no banco traseiro do seu carro, ele sangrava muito e Suzana achava que ele ia morrer. Levou ele até o Hospital mais próximo. Ficou com ele o tempo todo, mas ele acordou. Não tinha nenhum osso quebrado, nada muito sério. Ficou em observação por um tempo. Quando foi liberado, Suzana, foi com ele até o apartamento dele. Cuidou de Gabriel, todo o final de semana. Depois disso, viviam grudados. Por algum tempo foram os melhores amigos. Suzana saía do trabalho e ia direto para casa de Gabriel, comiam alguma coisa e ela ia para faculdade, e nas sextas-feiras, saia da faculdade e voltava para o apartamento de Gabriel, de lá iam para onde a banda fosse tocar. Começou a ser odiada pelas meninas que idolatravam o guitarrista. Por outro lado, muitas meninas tentavam "forçar uma amizade" com ela. Foi o caso da Fabiana. Fabiana ia atrás de Suzana onde ela fosse. Afinal, onde estava Suzana, estava Gabriel...
Tudo parecia muito bonitinho, se não fosse um detalhe: Suzana apaixonou-se perdidamente por Gabriel. Tá, ele também gostava dela. Muito até. Tinha ciúmes até da sombra dela. Isto antes de começarem a namorar. Depois disso, até quando tocava, não tirava os olhos dela. Um desavisado, que por um acaso, chegasse perto, já era. Briga na certa. Uma vez, Gabriel, tacou de cima do palco mesmo, uma garrafinha de água mineral em cima da cabeça de um carinha, que só tinha perguntado as horas para Suzana. Quando, viajava com a banda, levava Suzana junto. A banda crescia, o ciumes de Gabriel também. Junto com tudo isso, Gabriel era assediado por um milhão de meninas, que fariam qualquer coisa para ficar com Gabriel. E o chefe de Suzana de uma hora para outra começou a dar em cima dela, descaradamente. Gabriel queria que ela saísse do emprego, mas Suzana estava esperando ser chamada num concurso público que tinha passado, emprego naquela época era difícil e Suzana não podia ficar desempregada. Gabriel estava cego de ciúmes e começou a brigar com Suzana, dizendo que ela gostava daquela situação. E Suzana retrucava que ele é que gostava daquela mulherada tentando agarrar ele todas as noites. Um dia tiveram uma briga feia. Como gostava muito dele, Suzana decidiu dar o braço a torcer, tinha o dinheiro que estava guardando para sua moto, na poupança, se precisasse podia ficar um tempinho sem trabalhar, ainda morava com o pai, não tinha tantas despesas, apenas a prestação do carro. Ficaram uns três dias sem se falar, doía demais a ausência dele. Suzana pediu a conta e foi falar com Gabriel. Tinha a chave do apartamento dele. E ao entrar, a surpresa nada agradável. Flagrou, Gabriel com a Fabiana, da pior maneira possível.
Continua em Well, Well, Gabriel... parte 02
-
- Ele parece o Gabriel.
- É, até que lembra, os cabelos são iguais...
- Mas falta para ele aquela presença de palco, aquele ar de superioridade do Gabriel.
- É Suzana, ele parece muito mais " querido" que o Gabriel.
- E ele não canta. Lembra da voz do Gabriel?
- Saudades, Suzana?
- Quem, eu? Daquele traste imundo? Nunca. Eu irei odiar ele por todos os dias da minha vida...sabe o quê? Esquece o que eu falei. Odeio até falar este nome.
- E se eu escrevesse, Su?
- Pode escrever. E pode ser sincera. Não precisa me defender.
Gabriel tocava guitarra em uma banda, era vocalista também. Não era só isso. Era o melhor guitarrista de Curitiba. Todo mundo conhecia o Gabriel. Ele tinha milhares de meninas apaixonadas por ele. Show da banda era casa lotada. Sempre. Em toda cidade, a fama de Gabriel crescia. Tocava muito bem mesmo. E era lindo! Morava com a mãe no mesmo prédio que Suzana. Tinha perdido o pai, ainda bebê, então era cercado de mimos pela mãe que fazia todas as suas vontades. Gabriel tinha um grande amigo, chamado Augusto. Estudaram juntos desde o maternal, porém um dia, o pai de Augusto, que era separado, resolveu namorar a mãe de Gabriel. Gabriel enlouqueceu, queria bater no pai de Augusto, morria de ciúmes da mãe. Augusto, acabou no meio da briga e assim acabou a amizade dos dois. Mesmo assim, a mãe de Gabriel, quando ele completou dezoito anos casou com o pai de Augusto, e o deixou sozinho no apartamento que era herança do pai. Tinha que aprender a se virar. A ser um homem. Imaturo, e com toda liberdade do mundo, Gabriel saia para tocar e só voltava pela manhã, completamente bêbado. Quase todos os dias. Uma noite, saindo do bar, sozinho ia para casa, quando esbarrou num garoto com um skate. A maioria dos skatistas que andavam por ali, eram amigos de Gabriel, mas aquele carinha devia ter saído de algum bairro distante. Do nada, apareceram mais uns dez. Pularam em cima de Gabriel, bateram nele ate ele cair desacordado.
Suzana parou o carro e gritou. Estava muito assustada com o que tinha visto. Era muita violência e covardia. Um taxista também parou para ajudar, junto com duas meninas que passavam. Suzana, reconheceu seu vizinho, e com ajuda dos outros três, colocou Gabriel desmaiado no banco traseiro do seu carro, ele sangrava muito e Suzana achava que ele ia morrer. Levou ele até o Hospital mais próximo. Ficou com ele o tempo todo, mas ele acordou. Não tinha nenhum osso quebrado, nada muito sério. Ficou em observação por um tempo. Quando foi liberado, Suzana, foi com ele até o apartamento dele. Cuidou de Gabriel, todo o final de semana. Depois disso, viviam grudados. Por algum tempo foram os melhores amigos. Suzana saía do trabalho e ia direto para casa de Gabriel, comiam alguma coisa e ela ia para faculdade, e nas sextas-feiras, saia da faculdade e voltava para o apartamento de Gabriel, de lá iam para onde a banda fosse tocar. Começou a ser odiada pelas meninas que idolatravam o guitarrista. Por outro lado, muitas meninas tentavam "forçar uma amizade" com ela. Foi o caso da Fabiana. Fabiana ia atrás de Suzana onde ela fosse. Afinal, onde estava Suzana, estava Gabriel...
Tudo parecia muito bonitinho, se não fosse um detalhe: Suzana apaixonou-se perdidamente por Gabriel. Tá, ele também gostava dela. Muito até. Tinha ciúmes até da sombra dela. Isto antes de começarem a namorar. Depois disso, até quando tocava, não tirava os olhos dela. Um desavisado, que por um acaso, chegasse perto, já era. Briga na certa. Uma vez, Gabriel, tacou de cima do palco mesmo, uma garrafinha de água mineral em cima da cabeça de um carinha, que só tinha perguntado as horas para Suzana. Quando, viajava com a banda, levava Suzana junto. A banda crescia, o ciumes de Gabriel também. Junto com tudo isso, Gabriel era assediado por um milhão de meninas, que fariam qualquer coisa para ficar com Gabriel. E o chefe de Suzana de uma hora para outra começou a dar em cima dela, descaradamente. Gabriel queria que ela saísse do emprego, mas Suzana estava esperando ser chamada num concurso público que tinha passado, emprego naquela época era difícil e Suzana não podia ficar desempregada. Gabriel estava cego de ciúmes e começou a brigar com Suzana, dizendo que ela gostava daquela situação. E Suzana retrucava que ele é que gostava daquela mulherada tentando agarrar ele todas as noites. Um dia tiveram uma briga feia. Como gostava muito dele, Suzana decidiu dar o braço a torcer, tinha o dinheiro que estava guardando para sua moto, na poupança, se precisasse podia ficar um tempinho sem trabalhar, ainda morava com o pai, não tinha tantas despesas, apenas a prestação do carro. Ficaram uns três dias sem se falar, doía demais a ausência dele. Suzana pediu a conta e foi falar com Gabriel. Tinha a chave do apartamento dele. E ao entrar, a surpresa nada agradável. Flagrou, Gabriel com a Fabiana, da pior maneira possível.
Continua em Well, Well, Gabriel... parte 02
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